
Uma venda foi aprovada no marketplace. O pedido seguiu para faturamento e o pagamento apareceu no relatório financeiro. No entanto, quando o valor chegou à conta, o título correspondente ainda permanecia em aberto no ERP.
Em outro cenário, o depósito foi realizado com descontos de taxas, tarifas ou antecipações. Porém, o financeiro não conseguiu identificar com segurança quais vendas formavam aquele valor.
Essas situações mostram que receber não significa, necessariamente, conciliar.
A conciliação de marketplaces no ERP é o processo que relaciona vendas, pagamentos, repasses, títulos financeiros e valores efetivamente recebidos. O objetivo é confirmar se cada transação seguiu o fluxo esperado e identificar as exceções que exigem análise.
Em resumo: como funciona a conciliação?
O processo pode ser resumido em oito etapas:
- a venda é realizada no marketplace;
- o pagamento é processado;
- o marketplace ou a empresa de pagamento gera o arquivo de repasse;
- o Conciliador importa e interpreta os dados;
- os identificadores da transação são relacionados ao pedido;
- o título financeiro correspondente é localizado no ERP;
- a baixa é efetuada conforme as regras configuradas;
- o relatório de conferência apresenta o que foi conciliado e o que permanece pendente.
Portanto, a conciliação não compara apenas dois valores. Ela reconstrói a jornada financeira da venda.
Por que conciliar marketplaces é um processo complexo?
Uma operação de e-commerce pode envolver diferentes participantes:
- marketplace;
- loja virtual;
- gateway de pagamento;
- adquirente;
- instituição de pagamento;
- provedor de arquivos;
- banco;
- ERP;
- operador logístico;
- área financeira.
Além disso, uma mesma empresa pode desempenhar mais de uma função nessa cadeia.
O Banco Central define uma instituição de pagamento como a pessoa jurídica que viabiliza serviços de compra, venda e movimentação de recursos dentro de um arranjo de pagamento. No entanto, marketplaces, gateways e adquirentes podem apresentar modelos operacionais diferentes.
Por isso, a origem do arquivo e o papel de cada participante precisam estar claros antes da conciliação.
Quem participa do processo?
| Participante | Papel no fluxo |
| Marketplace | Registra a venda e pode centralizar pagamentos, taxas, cancelamentos e repasses |
| Gateway | Transmite e processa informações relacionadas ao pagamento |
| Adquirente | Processa transações realizadas por cartões e organiza a liquidação |
| Instituição ou serviço de pagamento | Viabiliza recebimentos e movimentações financeiras |
| Provedor de arquivos | Disponibiliza ou transmite dados usados na conciliação |
| ERP | Mantém pedidos, notas fiscais, parcelas, títulos e baixas |
| Conciliador | Relaciona os dados externos aos registros financeiros internos |
Essa separação ajuda a responder uma pergunta importante:
Qual sistema possui a informação necessária para confirmar que o valor recebido corresponde à venda registrada?
A resposta pode variar conforme o canal, o contrato e a estrutura financeira da empresa.
Quais informações o Conciliador precisa relacionar?
Para identificar uma transação, o sistema pode utilizar diferentes campos e referências.
Entre os principais estão:
- número do pedido;
- identificação do pedido no marketplace;
- número da nota fiscal;
- título financeiro;
- parcela;
- NSU;
- TID;
- data da venda;
- data do pagamento;
- data prevista para recebimento;
- valor bruto;
- taxas e tarifas;
- valor líquido;
- identificação da adquirente;
- cancelamento;
- estorno;
- chargeback;
- antecipação.
Nem todas as interfaces apresentam os mesmos campos. Além disso, os nomes e os formatos podem mudar de um arquivo para outro.
Por essa razão, a homologação do layout é uma etapa importante do processo.
O que significa uma interface homologada?
Uma interface homologada é uma origem de dados cujo arquivo, estrutura ou método de comunicação já possui tratamento conhecido pelo Conciliador.
Isso significa que a solução está preparada para interpretar aquele padrão. Porém, homologação não significa que todos os projetos funcionarão sem configuração.
A implantação ainda pode depender de:
- regras financeiras da empresa;
- estrutura dos títulos;
- formas de pagamento;
- parcelamentos;
- taxas negociadas;
- campos disponíveis no arquivo;
- identificação dos pedidos;
- configuração das baixas;
- tratamento de estornos;
- particularidades do canal.
A Atos Data mantém listas públicas de marketplaces homologados, adquirentes e meios de pagamento homologados e provedores de serviços homologados.
Quando uma interface não aparece nessas relações, é necessário analisar o arquivo e avaliar a viabilidade técnica.
Como o arquivo de repasse entra no processo?
O arquivo de repasse funciona como uma fonte externa de informações financeiras.
Dependendo do canal, ele pode apresentar:
- vendas aprovadas;
- valores liberados;
- tarifas;
- comissões;
- fretes;
- reembolsos;
- estornos;
- disputas;
- chargebacks;
- antecipações;
- ajustes;
- saldo disponibilizado;
- valor transferido.
Entretanto, não basta baixar qualquer relatório disponível na plataforma.
O Conciliador precisa receber o arquivo no layout esperado. Um relatório com nome semelhante pode ter campos, separadores ou estruturas diferentes.
Esse é um dos motivos pelos quais a escolha do relatório correto faz parte da conciliação.
Relatório Amazon Seller: por que o layout correto importa?
Para a operação Amazon Seller, a orientação técnica da Atos Data indica o acesso à área de repasses no Seller Central.
O caminho apresentado é:
- acessar o Seller Central;
- localizar a opção de repasses;
- abrir a área de todos os extratos;
- selecionar o período desejado;
- baixar o Arquivo simples V2.
Depois do download, deve-se verificar a presença do campo amount. Esse campo ajuda a confirmar que o relatório utiliza o layout esperado.
Existe outro relatório V2 na área de pagamentos. No entanto, ele possui uma estrutura diferente e pode não ser reconhecido pelo mesmo processo de importação.
Confira o procedimento para obter o relatório Amazon Seller.
A escolha do V2 também acompanha uma mudança anunciada pela Amazon. A empresa informou que os relatórios XML e Flat File anteriores serão retirados em 11 de novembro de 2026. O Flat File V2 permanece como substituto para essas versões.
Portanto, validar o layout é tão importante quanto conferir o período do relatório.
Mercado Pago: Recebimentos ou Liberações?
O Mercado Pago oferece diferentes relatórios para acompanhamento financeiro. A escolha depende da forma como a empresa utiliza a plataforma.
Relatório de Recebimentos
Esse relatório pode ser utilizado em operações nas quais o Mercado Pago atua principalmente como meio ou gateway de pagamento.
Relatório de Liberações
O relatório de Liberações apresenta as movimentações que formam o saldo disponibilizado na conta.
Ele pode ser mais adequado quando a empresa utiliza o ecossistema financeiro do Mercado Livre, incluindo diferentes modalidades de venda e operação logística.
Antes de gerar o arquivo, é importante conferir:
- idioma do relatório;
- separador de colunas;
- período selecionado;
- canais incluídos;
- status das transações;
- formato do arquivo.
A documentação do Mercado Pago recomenda o formato CSV com codificação UTF-8. Essas configurações ajudam a evitar problemas de leitura e interpretação.
A Atos Data disponibiliza um passo a passo para geração do relatório do Mercado Pago.
Como ocorre a identificação dos títulos financeiros?
Depois da importação, o Conciliador precisa encontrar no ERP o registro correspondente à transação externa.
Em uma operação integrada ao ERP Protheus, por exemplo, a rotina pode utilizar informações do pedido, da nota fiscal, da parcela e do título financeiro.
O objetivo é responder:
- existe um título para essa venda?
- ele foi gerado contra a entidade financeira correta?
- o número da parcela corresponde ao pagamento?
- o valor do título é compatível com o repasse?
- a nota fiscal foi emitida?
- o pedido foi cancelado?
- houve estorno ou chargeback?
- o título já foi baixado por outro processo?
Quando as informações são compatíveis, a baixa pode seguir a regra configurada. Caso contrário, o registro aparece como pendência no relatório de conferência.
O que é um título não identificado?
Um título não identificado é uma transação presente no arquivo externo que não encontrou correspondência suficiente no ERP para a realização da baixa.
Isso não significa, automaticamente, que o valor foi perdido.
A pendência indica que o sistema não conseguiu comprovar a relação entre o pagamento e o registro financeiro interno. Por isso, o caso precisa ser investigado.
Segundo a Central de Ajuda da Atos Data, existem três causas recorrentes.
1. Título gerado contra o consumidor final
Em determinados modelos de conciliação, o título precisa estar relacionado à adquirente, ao marketplace ou à entidade financeira responsável pela liquidação.
Entretanto, o título pode ter sido gerado somente contra o consumidor final.
Nesse cenário, o Conciliador não encontra a estrutura financeira esperada para efetuar a baixa.
A análise deve verificar:
- cliente financeiro vinculado ao título;
- forma de pagamento;
- administradora utilizada;
- condição de pagamento;
- regra definida para a integração;
- entidade responsável pelo repasse.
2. Parcelamento divergente
Outra possibilidade é a diferença entre o parcelamento registrado no ERP e aquele informado no arquivo.
Por exemplo, uma venda pode ter sido registrada em três parcelas. No entanto, o título foi gerado ou liquidado com uma estrutura diferente.
Como resultado, a parcela recebida não encontra uma correspondência compatível.
Nesse caso, é necessário comparar:
- quantidade de parcelas;
- sequência da parcela;
- vencimentos;
- valores;
- condição de pagamento;
- identificação da transação;
- forma como o canal realizou o repasse.
3. O título não existe no ERP
Também pode acontecer de o pagamento existir no canal externo, mas o pedido, a nota fiscal ou o título não ter sido criado no ERP.
Esse cenário pode ocorrer quando:
- o pagamento foi aprovado;
- o pedido foi cancelado antes da integração;
- houve falha de comunicação entre os sistemas;
- a venda não chegou ao ERP;
- a nota fiscal não foi emitida;
- o estorno ainda não apareceu no arquivo.
Assim, o marketplace apresenta uma movimentação financeira que não possui um documento interno correspondente.
Essa é uma das ocorrências que mais exigem cuidado. A movimentação existe, mas não pode ser baixada contra um título inexistente.
Como investigar um título não identificado?
O primeiro passo é localizar, no relatório de conferência, os registros sem pedido, nota fiscal ou identificação interna.
Depois disso, a investigação pode seguir este roteiro:
- localizar o NSU ou TID;
- pesquisar a transação no canal de pagamento;
- identificar o pedido relacionado;
- verificar o status do pedido;
- confirmar se existe nota fiscal;
- consultar o pedido no ERP;
- localizar os títulos financeiros;
- comparar valores e parcelas;
- verificar cancelamentos ou estornos;
- determinar a tratativa adequada.
O procedimento de títulos não identificados apresenta essa investigação com base nos campos disponíveis no relatório.
Quando pode ser necessário criar um recebimento antecipado?
Em alguns cenários, o pagamento foi realizado, mas não existe nota fiscal ou título correspondente.
Uma possível tratativa é a criação controlada de um registro de recebimento antecipado, conhecido como RA. Quando o estorno aparecer, esse registro pode ser cancelado na data correspondente.
Entretanto, essa não deve ser uma ação automática ou realizada sem análise.
Antes de criar ou cancelar qualquer registro financeiro, é necessário confirmar:
- se o pagamento realmente foi recebido;
- se o pedido foi cancelado;
- se não existe nota fiscal;
- se o estorno ainda está pendente;
- se a transação não foi registrada em outro título;
- qual procedimento contábil e financeiro deve ser adotado.
Como a operação altera os registros financeiros, a orientação deve ser validada com o responsável pelo ERP ou com a equipe de suporte.
E quando o pagamento e o estorno acontecem no mesmo dia?
Pode ocorrer de o pagamento e o estorno aparecerem no mesmo período.
Quando ambos pertencem à mesma transação e possuem valores correspondentes, o efeito financeiro líquido pode ser zero.
Ainda assim, a empresa deve confirmar:
- se os identificadores são os mesmos;
- se pagamento e estorno pertencem ao mesmo pedido;
- se não houve tarifa adicional;
- se os valores são equivalentes;
- se o ERP não registrou uma das movimentações separadamente.
O fato de a soma resultar em zero não elimina a necessidade de rastreabilidade.
Que tipos de divergência podem aparecer?
Além dos títulos não identificados, a conferência pode revelar:
- valor recebido diferente do valor previsto;
- taxa diferente da contratada;
- parcela não localizada;
- pagamento sem pedido;
- pedido sem pagamento;
- nota fiscal com valor divergente;
- baixa realizada em outro título;
- estorno ainda não processado;
- chargeback;
- antecipação não considerada;
- diferença de data;
- layout incorreto;
- arquivo incompleto;
- duplicidade de importação.
O objetivo do relatório não é apenas mostrar que existe uma diferença. Ele deve oferecer informações suficientes para direcionar a investigação.
O que deve ser automatizado e o que exige análise?
A automação é mais eficiente quando trabalha com regras claras e dados consistentes.
Ela pode assumir tarefas como:
- importação dos arquivos;
- leitura dos layouts;
- identificação das transações;
- associação com títulos;
- cálculo das diferenças;
- execução das baixas previstas;
- geração do relatório de conferência;
- separação das exceções.
Entretanto, algumas situações exigem análise humana:
- pagamento sem pedido;
- ausência de nota fiscal;
- título inexistente;
- cancelamento sem estorno;
- divergência de parcelamento;
- valor fiscal diferente do pagamento;
- mudança de layout;
- necessidade de ajuste financeiro;
- dúvida sobre a origem da transação.
A automação não elimina a análise. Ela reduz o volume de situações que precisam ser investigadas manualmente.
Quais são os benefícios de uma conciliação integrada?
Quando a conciliação está conectada ao financeiro do ERP, a empresa passa a trabalhar com uma sequência rastreável.
Entre os principais benefícios estão:
- melhor identificação dos recebimentos;
- redução de baixas incorretas;
- visão das diferenças por canal;
- acompanhamento de taxas e tarifas;
- identificação de títulos pendentes;
- controle de estornos e chargebacks;
- histórico das conciliações;
- fechamento financeiro mais organizado;
- redução do tempo gasto procurando a origem das diferenças;
- concentração da análise nas exceções.
O ganho mais importante não está apenas na velocidade. Está na capacidade de explicar cada valor.
Checklist para uma conciliação mais confiável
Antes de processar os arquivos, verifique:
- O período do relatório está correto?
- O arquivo pertence à empresa e à conta esperadas?
- O layout está homologado?
- O idioma está configurado corretamente?
- O separador de colunas está correto?
- Todos os status necessários foram incluídos?
- Os canais desejados estão selecionados?
- O arquivo não foi alterado manualmente?
- Os títulos foram gerados no ERP?
- As condições de pagamento estão configuradas?
- As parcelas correspondem às vendas?
- Cancelamentos e estornos foram considerados?
- O relatório de conferência foi revisado?
- As pendências possuem responsável e tratativa?
Esse checklist pode ser adaptado conforme cada canal e modelo financeiro.
Perguntas frequentes sobre conciliação de marketplaces
O que é conciliação de marketplaces?
É o processo de relacionar vendas, pagamentos, repasses, taxas e estornos dos marketplaces aos pedidos, notas e títulos registrados no ERP.
O que é um título financeiro?
É o registro que representa um valor a receber ou a pagar. Na conciliação de vendas, ele permite acompanhar o recebimento relacionado ao faturamento.
Um título não identificado representa perda financeira?
Não necessariamente. Ele indica que a transação externa não encontrou uma correspondência suficiente no ERP. A causa precisa ser investigada.
Por que o marketplace informa um pagamento, mas o título não existe?
O pedido pode ter sido cancelado antes da integração, a nota fiscal pode não ter sido emitida ou pode ter ocorrido uma falha de comunicação.
O Conciliador reconhece qualquer arquivo?
Não. O arquivo precisa utilizar um layout homologado ou passar por uma avaliação técnica para desenvolvimento e configuração.
Qual é a diferença entre valor bruto e valor líquido?
O valor bruto representa o total da transação. O valor líquido considera taxas, tarifas, comissões, antecipações e outros ajustes.
NSU e TID são a mesma coisa?
Não. Ambos ajudam a identificar transações, mas possuem funções e origens diferentes dentro da cadeia de pagamento.
O relatório de conferência realiza a correção automaticamente?
O relatório apresenta o que foi conciliado e as pendências encontradas. A correção depende da causa e das regras disponíveis.
Toda divergência pode ser baixada automaticamente?
Não. Situações sem pedido, nota fiscal ou título exigem análise antes de qualquer movimentação financeira.
É possível avaliar um canal ainda não homologado?
Sim. A viabilidade depende da disponibilidade do arquivo, da consistência dos campos e das regras necessárias para relacionar as transações ao ERP.
Conclusão
A conciliação de marketplaces conecta o que foi vendido, faturado, pago e efetivamente recebido.
Para que esse processo seja confiável, o Conciliador precisa interpretar o arquivo correto, relacionar os identificadores e encontrar os títulos correspondentes no ERP.
Quando uma transação não é identificada, o relatório de conferência direciona a análise. A partir dele, a equipe pode verificar parcelamentos, pedidos cancelados, notas fiscais, estornos e registros inexistentes.
Portanto, uma boa conciliação não se limita a confirmar saldos. Ela cria rastreabilidade entre a origem da venda e o destino financeiro do recebimento.
Conheça o Conciliador de Cartões e Marketplaces da Atos Data ou consulte a equipe para avaliar a viabilidade de uma nova interface.
