Como reduzir divergências entre marketplace, adquirente e ERP

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divergência marketplace

A venda aparece no marketplace. A transação foi aprovada. O pedido entrou no ERP. Ainda assim, quando o financeiro confere o repasse, os valores não fecham, há divergência no Marketplace.

Esse cenário é comum porque o valor vendido nem sempre corresponde ao valor que a empresa receberá. Entre o pedido e a liquidação podem existir taxas, comissões, parcelamentos, fretes, antecipações, descontos, devoluções, estornos, retenções e chargebacks.

Por isso, reduzir divergências entre marketplace, adquirente e ERP exige mais do que comparar o total vendido com o valor depositado. A empresa precisa relacionar cada venda aos eventos financeiros que aconteceram depois dela.

Quando essa conexão não existe, o fechamento se transforma em uma investigação. A equipe acessa portais, baixa demonstrativos, cruza arquivos e procura manualmente a origem de cada diferença.

Por que marketplace, adquirente e ERP apresentam valores diferentes?

Marketplace, adquirente e ERP participam do fluxo financeiro, mas cada sistema enxerga uma parte diferente da operação.

OrigemO que registraO que pode alterar o valor
MarketplacePedido, comissão e demonstrativo de repasseFrete, tarifa, promoção, subsídio, devolução, penalidade e retenção
Adquirente ou meio de pagamentoTransação, parcela e agenda de recebimentoTaxa, antecipação, cancelamento, estorno e chargeback
ERPVenda, pedido, título e valor previstoRegras financeiras, baixas, ajustes e registros internos

O marketplace parte do pedido e aplica suas regras para calcular o repasse. Já a adquirente parte da transação financeira e acompanha o valor até a liquidação. Por sua vez, o ERP registra a operação interna e aquilo que a empresa espera receber.

Isso não significa que toda venda de marketplace precisa ser comparada diretamente com uma transação da adquirente. Em alguns modelos, o próprio canal intermedeia o pagamento e apresenta ao seller o valor líquido do repasse.

Portanto, a conciliação deve respeitar o fluxo de cada canal. Forçar todas as vendas a seguirem a mesma regra pode criar novas inconsistências, em vez de resolver as existentes.

Quais são as principais causas das divergências?

Uma divergência nem sempre indica que alguém calculou um valor incorretamente. Muitas vezes, os sistemas apenas registraram momentos ou componentes diferentes da mesma operação.

Diferença entre valor bruto e valor líquido

O ERP pode registrar o valor integral da venda, enquanto o marketplace informa o repasse depois de descontar comissão, frete, tarifa ou campanha promocional.

Nas operações com cartão, o valor liquidado também pode sofrer o desconto da taxa negociada com a adquirente. Se esses componentes não estiverem separados, uma cobrança prevista pode aparecer como uma divergência.

Falta de um identificador em comum

A mesma venda pode receber diferentes identificações ao longo do processo. O marketplace utiliza o número do pedido. O meio de pagamento utiliza o código da transação. Enquanto isso, o ERP cria um pedido e um título financeiro próprios.

Sem uma chave que relacione esses registros, a equipe pode ter os três dados disponíveis e, ainda assim, não conseguir confirmar que pertencem à mesma operação.

Diferenças de data

A data da venda, a aprovação do pagamento, a geração do título e o repasse não ocorrem necessariamente no mesmo dia.

Além disso, parcelamentos, finais de semana, prazos de entrega e regras de fechamento podem alterar a agenda. Dessa forma, uma comparação baseada apenas no período pode classificar como ausente um recebimento que ainda não venceu.

Cancelamentos, devoluções e chargebacks

Uma venda registrada corretamente pode sofrer uma alteração posterior. O cliente pode cancelar o pedido, devolver o produto ou contestar a cobrança.

O problema aparece quando o evento chega a uma plataforma, mas não atualiza os demais registros. Nesse caso, o marketplace ou a adquirente reduz o repasse, enquanto o título continua aberto no ERP com o valor original.

Antecipação de recebíveis

A antecipação altera a data e o valor líquido da transação. Por isso, o recebimento pode não coincidir com a agenda inicialmente registrada no sistema.

Se a conciliação considerar apenas a previsão original, o financeiro encontrará uma diferença mesmo que a adquirente tenha liquidado a operação de acordo com a antecipação solicitada.

Regras diferentes por canal, CNPJ ou filial

Cada canal pode aplicar tarifas, comissões e prazos próprios. Além disso, uma empresa com vários CNPJs ou filiais precisa garantir que os recebimentos sejam associados à estrutura correta.

Quando o processo mistura essas regras, o total consolidado pode parecer correto, mas os títulos individuais continuam divergentes.

Dependência de controles manuais

Planilhas ajudam a organizar uma operação pequena. Entretanto, elas se tornam frágeis quando aumentam o número de canais, arquivos e ocorrências financeiras.

Nesse cenário, a equipe passa a copiar informações entre sistemas, adaptar layouts e refazer fórmulas. Consequentemente, o controle paralelo se transforma em mais uma possível origem de diferenças.

Como reduzir as divergências na prática?

A redução das divergências começa antes da automação. Primeiro, a empresa precisa entender como os dados circulam e definir o que considera uma operação conciliada.

1. Mapeie todas as fontes de informação

O primeiro passo é identificar onde nascem os dados usados no processo.

Esse levantamento deve incluir:

  • marketplaces e canais de venda;
  • adquirentes, gateways e meios de pagamento;
  • APIs, arquivos e demonstrativos disponíveis;
  • pedidos, títulos e baixas gerados no ERP;
  • empresas e filiais envolvidas;
  • regras de taxas, comissões e repasses;
  • tratamento de cancelamentos e demais ocorrências.

Esse mapeamento evita que a empresa automatize apenas uma parte da conferência e continue dependendo de planilhas para completar o processo.

2. Defina as chaves de conciliação

A conciliação precisa de identificadores que permitam acompanhar a venda durante toda a jornada.

Dependendo da operação, a correspondência pode utilizar:

  • número do pedido;
  • identificação da transação;
  • código da autorização;
  • parcela;
  • título financeiro;
  • data da venda;
  • valor registrado;
  • CNPJ ou filial.

Uma única informação pode não ser suficiente. Por isso, o projeto pode combinar diferentes campos para localizar a operação correta com segurança.

3. Separe as regras de cartões e marketplaces

Cartões e marketplaces podem fazer parte do mesmo ecossistema financeiro. No entanto, eles não devem receber exatamente o mesmo tratamento.

Na conciliação de cartões, o ponto de partida costuma ser a transação. A análise considera parcelas, taxas, agenda de recebimento, antecipações e chargebacks.

No marketplace, o ponto de partida normalmente é o pedido. A conferência envolve comissão, tarifa, frete, promoções, devoluções, retenções e repasse líquido.

A empresa reduz divergências quando preserva as particularidades de cada fonte e, ao mesmo tempo, centraliza os resultados no ERP.

4. Integre os dados externos aos registros do ERP

Baixar arquivos automaticamente não resolve todo o problema. A integração precisa relacionar as informações externas aos pedidos e títulos existentes no sistema.

Depois dessa associação, o processo consegue comparar:

  • valor bruto da venda;
  • taxas e comissões;
  • descontos e tarifas;
  • valor líquido previsto;
  • data de liquidação;
  • valor efetivamente informado;
  • ocorrências que modificaram a venda.

Essa conexão melhora a rastreabilidade. Assim, o financeiro não vê apenas uma diferença, mas também os registros que explicam sua origem.

5. Automatize os casos compatíveis

As operações que seguem as regras definidas não deveriam exigir a mesma conferência repetitiva todos os meses.

Conforme o escopo, a automação pode comparar os dados, registrar ocorrências financeiras e apoiar a baixa dos títulos correspondentes.

Entretanto, automatizar não significa aprovar qualquer diferença. O sistema precisa reconhecer os casos compatíveis e separar as exceções para análise.

6. Transforme divergências em uma fila de exceções

O objetivo de um conciliador não é fazer as diferenças desaparecerem. Seu papel é torná-las visíveis e explicáveis.

Em vez de revisar todas as vendas, a equipe pode concentrar sua atenção em situações como:

  • venda sem repasse correspondente;
  • taxa diferente da regra esperada;
  • pedido não localizado;
  • título sem identificação compatível;
  • valor líquido divergente;
  • cancelamento sem atualização no ERP;
  • retenção ou chargeback pendente de tratamento.

Dessa forma, o esforço humano deixa de ser aplicado às operações corretas e se concentra nos casos que realmente precisam de investigação.

7. Acompanhe as causas, não apenas o total

O volume financeiro divergente é importante, mas não explica por que o problema continua ocorrendo.

A empresa também deve acompanhar indicadores como:

  • percentual de operações conciliadas automaticamente;
  • quantidade de exceções por canal;
  • valor pendente por tipo de divergência;
  • tempo médio para identificar e resolver diferenças;
  • canais com maior recorrência de taxas divergentes;
  • pedidos ou títulos sem correspondência;
  • chargebacks e cancelamentos pendentes.

Esses indicadores ajudam a identificar se a origem está na integração, no cadastro, na regra financeira ou no próprio processo interno.

Como o Conciliador da Atos Data atua nesse processo?

O Conciliador de Cartões e Marketplaces da Atos Data conecta ao ERP as informações disponibilizadas por adquirentes, gateways, meios de pagamento e canais de venda.

Dependendo da plataforma, os dados podem chegar por API, arquivo, relatório estruturado ou outro formato disponível. Em seguida, a integração busca relacionar essas informações aos pedidos, transações e títulos registrados no ambiente.

A solução pode comparar valores, taxas, comissões, descontos, parcelas, repasses e datas de pagamento. Além disso, ela pode considerar eventos como estornos, cancelamentos, devoluções, antecipações, retenções e chargebacks.

Quando os dados atendem às regras definidas para o projeto, o fluxo pode contemplar a atualização das ocorrências e a baixa dos títulos. Quando existe uma incompatibilidade, a operação segue para análise.

A Atos Data já desenvolveu integrações com adquirentes e meios de pagamento como Cielo, Stone, Rede, Adyen, Getnet e Pagar.me. O ecossistema também contempla marketplaces como Mercado Livre, Amazon, Shopee, Magalu, Olist e outros canais.

Entretanto, cada projeto depende dos dados fornecidos pelas plataformas, das regras financeiras utilizadas e da estrutura do ambiente. Por isso, a implantação começa com um diagnóstico e passa por parametrização, testes, simulações, capacitação dos usuários, ajustes e acompanhamento em produção.

Para entender os canais disponíveis e as etapas do projeto, conheça o Conciliador de Cartões e Marketplaces da Atos Data.

Checklist para identificar a origem das divergências

Antes de revisar o processo de conciliação, responda:

  • Todas as vendas possuem um identificador que chega ao ERP?
  • As taxas previstas estão cadastradas por canal e condição?
  • O financeiro diferencia valor bruto, descontos e repasse líquido?
  • Parcelamentos e antecipações atualizam a agenda de recebimentos?
  • Cancelamentos e devoluções retornam ao sistema?
  • Chargebacks possuem um tratamento financeiro definido?
  • As regras separam corretamente empresas e filiais?
  • O processo distingue conciliação de cartões e marketplaces?
  • As baixas dependem de digitação ou conferência manual?
  • A equipe consegue explicar a origem de cada diferença?
  • As exceções ficam registradas para acompanhamento?
  • Os dados permanecem em planilhas paralelas ao ERP?

Quanto mais respostas negativas, maior será a dependência de investigação manual durante o fechamento.

Reduzir divergências não significa eliminar a análise financeira

Mesmo uma operação automatizada continuará apresentando exceções. Marketplaces mudam regras, clientes cancelam pedidos, transações sofrem chargebacks e arquivos podem chegar com informações incompletas.

A diferença está na forma de trabalhar.

Sem integração, o financeiro revisa todo o movimento para descobrir onde existe um problema. Com a conciliação estruturada, o sistema relaciona os dados, processa os casos compatíveis e direciona as exceções para a equipe.

Assim, a empresa ganha mais rastreabilidade sobre o caminho entre venda, recebimento e baixa financeira. Além disso, reduz o tempo gasto reunindo informações que já existem, mas permanecem separadas.

Se o fechamento da sua empresa ainda depende de portais, arquivos e planilhas para explicar os repasses, conheça o Conciliador da Atos Data e converse com nossa equipe para avaliar o seu cenário.

Perguntas frequentes

Ter um ERP elimina as divergências de marketplaces?

Não. O ERP registra os processos internos, mas precisa receber e relacionar as ocorrências financeiras dos canais externos. Sem essa conexão, taxas, comissões, devoluções e repasses podem continuar fora do sistema.

Cartões e marketplaces podem ser conciliados no mesmo projeto?

Sim. As informações podem fazer parte do mesmo ecossistema. Entretanto, cada fonte deve seguir suas próprias regras, identificadores e critérios de conferência.

O conciliador pode realizar a baixa dos títulos?

A baixa pode fazer parte do escopo. Essa definição depende dos dados recebidos, das regras financeiras e da configuração do ambiente da empresa.

A integração funciona com qualquer marketplace ou adquirente?

A viabilidade depende das informações e dos meios de acesso disponibilizados pela plataforma, como API, arquivo ou relatório estruturado. A equipe avalia cada canal durante o diagnóstico.

A automação elimina completamente a conferência humana?

Não. Ela reduz tarefas repetitivas e identifica as diferenças. Exceções, informações incompletas e situações não previstas ainda podem exigir a avaliação do financeiro.

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